segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Triângulo de Bermudas


Bernardo ama Murilo
que ama Danilo
que ama Bernardo.

Quem ceder primeiro
Sobrevive ao naufrágio?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Da miopia não tratada


Depois de muito reclamar da falta de oportunidades, descobriu que precisava de novos óculos.

(PS: relendo um caderno da Itália, achei essa! Foi escrita em 26/01/2011)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Da luta pela integridade


Revirando textos do passado, encontrei esse daqui que escrevi para meu perfil do Orkut (!) em 10 de novembro de 2009 (!). Nunca poderia ser mais atual, representa MUITO do que estou passando agora! Segue o texto:

"
Nem viu que se atormentava pouco a pouco com pensamentos pequenos. Eram tão ínfimos, tão insignificantes e desprezíveis, incondizentes com sua natureza bondosa, pacifista e espiritual, que ele achou que não passavam de ilusões. Afinal, durante toda sua vida ele sempre soube que era o mais puro e bem intencionado ser humano da face da terra. Como poderia se perturbar por pensamentos alheios à sua essência?

Cheio de sonhos inexplicavelmente recheados de extravagâncias e de uma esperança tão grande num futuro melhor para si e para todos os demais em cada canto do mundo, mal imaginava que por mais que sentisse que seu coração pudesse abraçar o mundo, o mundo não estaria tão disposto assim a ser abraçado por suas boas intenções.

Viveu muito tempo consigo mesmo. Recatado, isolado do caos mundano, sonhava. Sonhava com o dia em que poderia transformar a tristeza em alegria, os problemas em diversão, o ódio em amor. Imaginava sem dificuldades como a felicidade espontânea, nascida inteiramente de dentro de cada um por vontade própria, invadiria o mundo. E acreditava tão fielmente em seu mundo de sonhos que passou a achar que detinha a chave da felicidade, bondade e amor.

Na inocência de seus anos primeiros, quando tudo o que detinha era pensamentos abstraídos do exterior, sua experiência, ou melhor, falta dela, lhe dizia que tudo era essencialmente bom. E nisso ele acreditara piamente, criando em si mesmo uma confiança inimaginável no ser humano e na sua capacidade de se estruturar segundo o bem-estar alheio.

Acreditara também que conhecia a fonte da felicidade. Para ele sempre fora tão simples enxergar os desvios de ação que levavam a harmonia para longe. Sempre fora tão automático apontar mentalmente o erro dos demais e de si mesmo que impediam a criação do ambiente-harmônico, aquele que é o mais propício e fértil para crescer a felicidade...

O que dera errado então? Que pensamentos ínfimos se multiplicaram até atingirem uma proporção avassaladora e impacientemente apelativa?

Ele não viu, mas saiu para o mundo antes que lhe avisassem que era perigoso sonhar lá fora. Saiu para o mundo cantando ao vento as alegrias que tinha dentro de si e distribuindo sonhos que, somente muito tempo depois, ele foi perceber que tinham ficado no chão. Ninguém pareceu se importar com sua boa-nova, nem pareceu dar a mínima para as cópias das chaves para a felicidade que ele acreditava estar distribuindo.

No início ele não se importou. Percebeu que a vida fora do seu mundo poderia ser mais árdua e cansativa, além de exigir um tempo incomunal de cada pessoa. Porém ainda via a felicidade dentro de si, acreditava que a boa vontade vencia tudo e que através dela o mundo, se não se tornasse melhor, pelo menos poderia ser encarado com um olhar mais animador.

Não contava porém com um mínimo detalhe, do qual ele tivera consciência todo esse tempo, mas ignorou: ele também era humano. E sua humanidade se rendeu ao cansaço, rotina e infelicidade mundana. Se perdeu de si sem perceber, à medida que pensamentos ignorantes do mundo externo lhe invadia a cabeça após um dia muito pesado de atividades. Estressava-se por pouco, irritava-se com nada, e em breve estava mergulhado no mundo que lutara para exterminar.

Coitado! Vítima de sua fragilidade nata, entrou em conflito moral e comportamental consigo mesmo. Sem perceber, seus pensamentos variavam de um extremo ao outro, fazendo-o ter opiniões completamente opostas em poucos segundos. E esse conflito interno, mal mal sentido no nível da consciência, começou a interferir drasticamente no seu modo de interagir com os demais. Sem opinião fixa, com um pensamento tão volátil como um gás, ele começou a se perceber instável. E voltando às suas raízes, voltou os olhos do mundo externo para seu mundo interior e viu o caos.

Foi então que se deu conta de que algo não ia bem. Procurou uma identidade no meio de tantos pensamentos, experiências, relacionamentos e conhecimentos e se estranhou. A cada novo fato analisado, menos ele se reconhecia e mais desesperado ficava: aonde estava a essência de seu ser? Aonde estavam os sonhos e a esperança inabalável na possibilidade de construção de um mundo de harmonia? Cadê as antigas expressões irremediavelmente sonhadoras que lhe ocorriam, no meio do nada e de momento nenhum? Onde se meteu aquela sua capacidade de se abstrair a qualquer instante e sentir a completude da vida na observação de um momento simplérrimo?

Quem era ele, afinal? O que ele era?

Perdeu-se em si e assim perdeu o mundo. Sem saber quem é, se desequilibrou. E desequilibrado, ficou tão sensível que um simples sopro do vento pode fazê-lo chorar rios de lágrima ou gargalhar de falicidade.

Nesse estado de ânimo peculiar, tem-se sentido cada vez mais isolado de todos, inclusive de si mesmo. Nada pode falar aos demais, ninguém o entenderia (nem ele se entende!). Na maioria das vezes, nem tem vontade de falar: não sabe mais se expressar, não sabe mais o que expressar, justamente por não saber mais quem ele é.

Buscou incansavelmente a liberdade extrema do pensamento e do ser. Acabou encontrando uma prisão aparentemente eterna no caos de seu próprio saber.

Se terá salvação?

Claro! Já agora ele está reacendendo os sonhos otimistas e procurando dentro de si a chave de ouro da felicidade que ele sempre deteve. Esteve sempre certo, deteve o caminho para atingir o maior objetivo de toda a humanidade desde sempre: paz, hamonia e amor.

Para conseguir a paz, terá que organizar o caos que reina no seu mundo interior e descobrir, após arrumar a bagunça, quem ele é realmente.

Uma vez em paz consigo mesmo, estará apto a gerar harmonia com os que vivem ao seu redor. Cultivar a paz costumava ser seu maior dom quando menino, resgatar esse dom faz parte do processo de recuperação de seu ser.

Se obtiver sucesso nas etapas anteriores, o ambiente-harmônico estará pronto para gerar amor e felicidade em abundância. Paraíso na Terra ou ilusão, o que importa é que sua essência continua intacta: sua capacidade de sonhar continua surpreendentemente magnífica, assim como a fé que ele tem na realização de tais sonhos.

Desejo sorte a ele. Capacidade eu não duvido que ele tenha, sempre fora uma pessoa muito determinada. Porém, tenho medo de que ele seja ludibriado pela grande liberdade de pensamento que ele atingiu. Nesse nível de raciocínio, não há certo ou errado, de modo que questionar é essencial. E, sinceramente, vejo-o tão exausto de questionar a si e a seus pensamentos, que ainda tenho minhas dúvidas se foi bom ele conseguir sua tão sonhada liberdade de pensamento ao preço de acabar caindo numa prisão de questionamentos infindáveis sobre tudo.
"

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Matem o gigante!


PESSOAL, peço a atenção de todos! Esse movimento está descontrolado. Não temos representantes, não respondemos a líderes. E agora, o povo, por raiva e descrença (justificada) nos partidos políticos, está AGREDINDO todo partidário. E clamando apenas a bandeira nacional, e cantando hinos, e os militares por todo o país se ajuntando ao movimento lindamente.
ABRAM OS OLHOS!
A única forma de unipartidarismo é a DITADURA. E esse sentimento de rejeição e inibição da liberdade de expressão de partidários é uma afronta à democracia. Estamos caminhando para uma Die Welle (A Onde, o filme que mostra como a massa pode ser manipulada para tomar atitudes violentas e elitistas sem perceber!).
Precisamos tentar conter esse tipo de sentimento. Precisamos conter os ânimos ultra-nacionalistas. Estamos alimentando uma máquina fascista que só pode resultar em uma coisa: AUTORITARISMO E REPRESSÃO.

POR FAVOR, se atentem para o que gritam na rua. Se atentem para não caírem nesse tipo de discurso. E DEFENDAM o direito de partidários irem às manifestações. Você pode ser apartidário, mas não pode ser contra partidos, porque os partidos são a única ferramenta que temos para manter a democracia de pé.

Para exemplificar a importância dos partidos, dou um exemplo:
O movimento, que começou com uma pauta bem definida, foi sequestrado: hoje, o Brasil inteiro clama por "Mais Educação", "Mais Saúde", "Contra a Corrupção"! E clama para que todos levem APENAS a bandeira do Brasil para as manifestações. O que acontece é que essas pautas genéricas e a bandeira do Brasil REPRESENTAM O POVO TODO (ninguém vai dizer que é contra a educação ou a favor da corrupção), e daí nos sentimos UNIDOS.
PORÉM, estamos esquecendo do que realmente define os partidos políticos. A discussão que muitos estão esquecendo de levar para seus círculos é sobre o COMO essas pautas serão implementadas. PERGUNTEM a vários manifestantes COMO eles esperam que a educação seja melhorada: vocês irão notar que cada um tem o SEU MODO de enxergar as coisas, com opiniões que irão da extrema esquerda à extrema direita. ISSO É PARTIDARISMO. A única ferramenta que nossa democracia possui para conseguir dar voz a tantas opiniões diferentes e alcançar um consenso para o bem coletivo em geral é o partido político. PODE SER que consigamos erguer uma nova ferramenta, como uma Assembléia Popular onde as decisões são tomadas horizontalmente, mas isso é extremamente complicado, ainda mais no tempo que temos para evitar o caos.

O que eu estou querendo defender é que NÃO EXISTE movimento de milhões de pessoas APARTIDÁRIO. Todo mundo tem sua posição pessoal sobre como cada pauta deve ser atendida. E se continuarmos atacando os partidos, a única coisa que vai restar para guiar essa MULTIDÃO de pessoas que estão se mobilizando será a Bandeira Nacional e pautas genéricas impossíveis de implementar. Solução: AUTORITARISMO. Em um ambiente atiçado como o que estamos passando, se não aprendermos a respeitar a opinião diversa e o seu espaço na sociedade, só podemos chegar em um regime facista ou em uma ditatura nacionalista. Em ambos os casos, a liberdade de expressão será severamente punida, inclusive na internet.

POR FAVOR, PENSEM sobre isso. Discutam com seus pares. NÃO vamos deixar um movimento que tem um potencial para alterar de verdade os rumos do país (para melhor) virar um Golpe de Estado que tire as liberdades duramente conquistadas nos últimos 25 anos.

Que a discussão se inicie. Conversemos, em vez de atacarmos uns aos outros.

domingo, 12 de maio de 2013

Retrospectiva


Saudade. Uma palavra para descrever os sentimentos de hoje.

Saudade do passado mais remoto, saudade dos tempos de criança e da inocência e segurança que eram leis quando meus avós ainda eram vivos e podiam me abençoar a cada manhã.

Saudade das descobertas sobre as coisas da vida com meus irmãos e primos, meus verdadeiros amigos de infância, guardiões de segredos e cúmplices de brincadeiras perigosas, como assustar pessoas desconhecidas em uma caixa de papelão esquecida numa esquina qualquer.

Saudades dos tempos de roça e do meu "vô Deusdete", que me ensinou como empunhar uma foice pela primeira vez. Saudade dos calos que vieram logo após eu derrubar a primeira praga do mato. Saudade dos beliscões inesperados e de correr atrás de vacas duas vezes maiores que eu, sem perceber que junto de mim corria o tempo, que hoje se escorre em versos de saudade.

Saudades dos biscoitos da vó Laurinda numa manhã fria de inverno na roça. Saudades das festas de aniversário, que por mais simples que fossem, ainda tinham de existir. Saudades dos piquiniques na "pancada de areia" e dos nados no ribeirão. Saudade de explorar as montanhas e as matas e do medo que isso por vezes suscitava.

Saudades dos vários minutos passados sentado no sol ao lado da minha "vó Fonsina" e meu vô Amâncio, em uma boemia que hoje figura entre os momentos de mais rara beleza e felicidade em minha mente.

Saudades do tempo de partida, do desconhecido que era morar em uma cidade grande e do desafio que isso representava. Saudade dos tempos de descoberta juvenil, das primeiras amizades fora do círculo familiar e dos tempos de bosquinho no CEFET. Saudade dos medos da época, a maioria dos quais são risíveis hoje, quando olho para trás. Saudade da esperança quase inquebrável no futuro e da audácia juvenil, que trazia a certeza absoluta de que tudo iria dar certo, independente do que acontecesse.

Saudade do sentimento de vitória e excitação de passar no vestibular e da descoberta da universidade. Saudades dos primeiros períodos, quando a vida parecia fazer tão mais sentido e a sensação de estar perdido era rara. Saudade das amizades mais puras conquistadas nos momentos de sufoco que são o "amadurecer" e se tornar "adulto". Claro, ainda estou passando por isso, mas fica a saudade do tempo em que eu não entendia nada disso e lutava desesperadamente para entender o que era a vida e o que ela queria de mim (ainda não sei, mas hoje pelo menos tenho a noção de que essa é uma pergunta sem resposta fixa, e já não me desespero mais).

Saudades da Itália e a vida de descobertas que ela representou. Saudades infinitas da inocência e a inexperiência com que cheguei lá. Saudades das tentativas por vezes frustradas de me comunicar quando tinha acabado de chegar. Saudade da velhinha que, quando pedi ajuda para encontrar o orelhão mais perto para poder avisar meus pais que eu tinha chegado, achou que eu queria ir na casa dela telefonar. Saudades de Vercelli, aquela cidadezinha pacata e charmosa que me acolheu durante meu primeiro mês em país estrangeiro. Saudades dos meus amigos cujas raízes estão por lá, saudades daqueles loucos com quem morei, daqueles com quem estudei e com quem pude partilhar parte da experiência de troca de culturas. Saudades das viagens cansativas, mas gratificantes. Saudades da primeira neve e a emoção que ela envolveu! Saudade da excursão a Barolo e a noite mágica com direito a muito frio, neve, vinho, amizade, música e cultura italiana. Saudades do dia do pão de queijo e dos churrascos brasileiros no meio do parque. Saudades especiais da Rê (e nossa tarde de chocolate quente) e da Nay (e nossa patinada juntos). Saudades do natal em Genebra, com uma família para lá de especial e que representou minha família ali naquele cantinho europeu. Saudade da virada do ano mais barulhenta da minha vida em Milão e do pouco tempo que dividi com o Matheus por lá. Saudades de Florença e da semana mais italiana que vivi na Itália, acolhido pela família de um amigo italiano muito especial. Saudades da minha amiga grega que me acolheu em sua casa em Atenas para uma das semanas mais incríveis da minha vida. Saudades da sensação do retorno e de ver minha mãe e pai pela primeira vez depois de um ano distante.

Saudades da amiga que tocou meu coração e minha alma, e se foi me deixando um aprendizado que até hoje não sei expressar em palavras (e nem compreender racionalmente). Saudades infinitas de você, Maysão, e seu sorriso e sua gargalhada e sua fúria no trânsito e a caminhada na lagoa e o jazz e tanto mais que não há como dizer.

Saudades... Saudades de um tempo que ainda não veio, mas que virá e passará, gerando mais matéria-prima para uma vida de nostalgia. Saudade da faculdade que, por mais que tenha me matado (e ainda me mata) de estudar e trabalhar, representou (e representa) um marco profundo na minha vida. Saudade dos amigos que se afastarão, saudade dos professores que admiro e que não mais me ensinarão. Saudades das festas que deixarão de ter o mesmo significado que tem hoje, saudades futuras de um tempo em que toda minha concepção de mundo atual parecerá infantil. Saudades antecipadas da vida que levo hoje, que eu sei que vai passar e deixar muita saudade real daqui uns anos.

Saudades infinitas, nostalgia do passado, presente e futuro. Isso é a beleza da vida, afinal: uma sucessão de eventos, sentimentos, ações, atitudes, desejos e emoções que, quando agrupados em uma visão geral, formam um belo e tocante quadro do que é ser humano. E o mais legal é perceber que todo indivíduo produz, em seu tempo de vida, um quadro maravilhoso que, quando interligado com os demais quadros de outros indivíduos, evidenciam o quão extraordinária a vida é. E se sentir parte disso trás uma paz inexplicável, com um gostinho doce e suave de saudade. Ahhh... A vida...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Infinito


muitas vontades
muitos desejos
muitos sonhos
muitas experiências
muitas escolhas
muitos caminhos
muita indecisão
Uma Vida.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Da evolução das almas


Ali estavam, sentadas em algum ponto perdido do infinito continuum espaço-tempo, absortas em sentimentos próprios e pensamentos universais. Contemplavam uma música suave e escutavam o ambiente, em um momento aparentemente a-temporal.

Foi a mais nova e inocente quem se manifestou primeiro:
- Isso de crescer...
- Que que tem?
- É que... às vezes, dói.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Relendo Clarice


Ele acreditava em sonhos e, porque acreditava, eles aconteciam.



("Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam." Clarice Lispector)

sábado, 4 de junho de 2011

A ditadura da opressão


A realidade muitas vezes me oprime.
Como uma ditadora, coloca limites aos meus sonhos e, assim, impede a minha total liberdade.
Quero respirar os ideais puros dos meus sonhos de juventude, quero poder grita-los por aí com a segurança de um velho sábio experiente. Porém, não importa o quanto eu fuja, o quanto eu corra e me esconda nos segredos fantasiados dos meus desejos, a Imperadora Realidade dá sempre um jeito de me encontrar. E quando isso acontece, faz o possível para me enjaular. E me convencer a acreditar que o 'tudo possível'... não é mais que ilusão.

domingo, 22 de maio de 2011

There ain't no space for hate in my heart


I find it's impossible to me to hate someone or something. Fortunately I'm pure at heart, and I'll do all my best to change our world to better. Some people won't understand in the beginning. Many will call me crazy or fool dreamer, or probably both. It doesn't matter: my strength always came from inside. And from all the injustices we see in the world today.

From now on, Love will be my Guide, Intelligence will be my Power, my Inner-self will be my Messenger, Hope will be my Faith and the World will be my Home.

Nothing can destroy Love, and death cannot kill the True Ideas.

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.
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I like to help people becoming better.

domingo, 17 de abril de 2011

Manifesto Humano


Chegou o grande momento. Se eu obtiver sucesso e conseguir te convencer, ao final dessa leitura, a me dedicar o que, nessa nossa sociedade moderna maluca atual, é uma boa quantia de tempo, significa que consegui tecer uma boa teia de argumentos ao longo do que vai ser um longo discurso (prevejo). E que, obviamente, atingi o meu objetivo com essa história toda.

Aliás, vamos ser claros logo de início:

Nos demais posts desse blog eu sempre escrevi simplesmente aquilo que me vinha à cabeça, sem querer, necessariamente, influenciar alguém. Apenas tentava enviar aos leitores os sentimentos que perpassavam a minha mente e alma.

O meu objetivo sempre foi muito simples: me expressar, expondo minha forma de ver, entender e sentir o mundo, e tentar com isso cativar o leitor de modo que ele pudesse, se possível, se identificar com uma ou outra coisa e acabar se modificando aos pouquinhos - para melhor.

A metodologia usada foi basicamente a da sensibilização emocional, espalhando em meio aos textos carregados de sentimentalismo algumas ideias bem racionais. O fundamento por trás dessa técnica NADA planejada é simples: eu não acredito que o ser humano deva ser inteiramente racional ou inteiramente emocional, mas uma combinação dos dois. Acredito que o ser humano deva estar sempre exercitando sua sensibilidade para poder sentir e entender tanto ele mesmo como as pessoas e o mundo a sua volta. E é isso que eu tento fazer aqui no blog: exercitar tanto o meu emotivo quanto o dos leitores.

A parte racional é, obviamente, tão importante quanto. É com a racionalidade que desenvolvemos tecnologia, chegamos a decisões sábias, conseguimos julgar causas e eventos imparcialmente, controlamos os instintos herdados dos nossos ancestrais evolutivos, dentre outras infinitas atividades.

Então o que eu tento fazer é mesclar os dois. Mas penso que até o presente momento, me apeguei muito mais ao apelo emocional. Provavelmente porque nós já somos bombardeados com tanta racionalidade que eu sinto que preciso contrabalancear com bastante sensibilidade emotiva. Basta ligar a TV e assistir dez minutos de qualquer telejornal e veremos muitos crimes, tragédias naturais, movimentações econômicas, mudanças climáticas, esquentados debates políticos... Mas todos esses assuntos são tratados de uma forma racional que já não apela ao lado emotivo do ser humano. Não, no máximo eles costumam provocar uma pequena cócegas no lado sentimental dos telespectadores, fazendo-os se revoltar e comentarem durante algum tempo sobre coisas que os deixaram indignados e só. Ficamos travados nesse ciclo vicioso de lamentos infinitos e indignação, e aprendemos a aceitar as coisas porque elas "são assim".

Bom, eu estou aqui para acabar com essa história. Chega. Chega desse sensacionalismo disfarçado, e também do sensacionalismo não disfarçado. Basta de atiçar sentimentos humanos sem provocar uma reação realmente sensata da alma. Eu quero que meus leitores aprendam a sentir de verdade, e não que lamentem - sem realmente saberem o que é lamentar - infinitas mortes na catástrofe japonesa. Ou em Realengo. Ou no Iraque. Ou Líbia. Ou aonde for, com qualquer coisa que seja.

É chegado o momento de desvendar os olhos, olhar além do cômodo mundo que criaram para nós. Chega de aceitar o que os jornais falam como a verdade mais pura do mundo: os repórteres também têm vendas nos olhos. Todos temos. Alguns para algumas coisas, outros para outras, alguns muitos para tudo.

Minha meta aqui é lhes dar uma poderosa ferramenta para ajuda-los no processo de libertação. É hora de pensarmos profundamente no que realmente é importante para nós. É hora de ponderar melhor sobre "porque Avatar mexeu tanto com tanta gente, inclusive comigo mesmo?". É hora de encarar a verdade sobre quem nós realmente somos lá no fundo, e o que realmente gostaríamos que acontecesse.

Comecei dizendo que deixaria algo claro logo no início. Bem, era isso: esse vai ser um artigo diferente dos demais. Aqui, eu necessariamente quero convencer o leitor a tomar uma atitude, a começar uma mudança. A meta maior aqui não é me expressar. É alcançar. Alcançar você, leitor, a sua atenção, e por sorte, a sua alma. E para conseguir isso, eu vou tentar criar um discurso que irá te estimular emocionalmente e te instigar a pensar no porquê disso. Ao mesmo tempo, conexões lógicas serão trançadas, sobrepondo ideias antigas que você provavelmente nunca pensou seriamente sobre: simplesmente aceitou como válidas e necessárias.

À medida em que escrevo essa linha, não faço absolutamente nenhuma ideia do quanto vou conseguir alcançar desse propósito. Eu sinceramente espero que minha capacidade intelectual e emocional atual seja suficiente para provocar alguma reação positiva em você.  Eu não me sinto o que eu chamaria de "inspirado". Tive momentos de inspiração antes, e muitos dos meus outros textos vieram deles. Mas alguma coisa está me instigando a escrever e eu resolvi obedecer, mesmo com um certo medo de acabar não escrevendo da melhor forma possível. Espero sinceramente ser capaz de alcançar você.

O assunto é extenso. Até agora concluímos apenas a introdução. Mas se minha literatura for boa o suficiente, você não vai querer parar de ler. Se ela não estiver assim tão boa, faço um apelo desde já para que continue lendo, até o final! Se está num momento de correria agora, guarde o texto para ler depois, sem interrupções. Mas leia.

Então é isso. Aqui estou eu, um simples universitário de 21 anos viajando pela Itália, conhecendo um mundo que eu não esperava poder ver tão cedo. E aqui estou eu pensando em como o mundo anda tremendamente mal das pernas, e como as pessoas andam tremendamente más do cérebro. Me passou pela cabeça escrever "do coração", mas, felizmente, eu não acho que isso seja verdade. Apesar de termos alguns pequenos exemplos de quanta compaixão anda faltando pelo mundo, o coração parece estar intacto: o que anda mau é a racionalidade, que tem o poder de sobrepor os fracos impulsos do coração.

São as falsas linhas de raciocínio que andam distorcendo as mensagens do coração. Parecem ser verdade para quem as pratica, mas no fundo, elas não tem um fundamento significativo no mundo real: todos os problemas nesse mundo, causados pelo homem, não passa de um amontoado de maus entendidos que foram se acumulando uns sobre os outros com o passar dos séculos. Hoje, reconhecer o que é realmente importante por debaixo desse amontoado de tralhas históricas e acordos políticos é uma tarefa complicadíssima para aqueles que não exercitam sua sensibilidade. Para os demais, é um caminho quase natural, mas que pode levar anos ou nunca chegar a se concluir caso um guia não apareça para ajudar a desviar de certos bloqueis inconvenientes que ficam no meio do caminho.

Felizmente, aqueles sensibilizados já podem facilmente achar um caminho para fora desse labirinto de maus entendidos, pois ultimamente saiu pela internet um documentário que consegue abordar de uma forma bem acessível toda a informação necessária para nos levar a um mundo antes encoberto, e que esteve sempre ali, diante dos nossos olhos. A gente só não tinha aprendido a ver.

Para os não sensibilizados, o documentário é meio caminho para começarem a pensar melhor sobre o mundo que os rodeia, e que tipo de mundo eles realmente acreditam que valha a pena viver. Os não sensibilizados geralmente nunca pensaram sobre essas coisas e, portanto, já é um grande avanço para começarem a exercitar sua própria emotividade. Alguns, quem sabe, inclusive se sensibilizarão imediatamente, ao ter tanta coisa legal descoberta de uma vez só.

O documentário de que eu falo aqui foi o documentário que mudou a minha vida. Literalmente. Como? Bom, se eu não o tivesse visto, o meu futuro provavelmente seria trabalhando em alguma empresa, minha ou não, tentando arranjar soluções criativas para ajudar o mundo a se desenvolver, ao mesmo tempo em que eu poderia fazer um bom dinheiro e viver tranquilo.

Parece uma boa vida, não?

Infelizmente, para mim, não parecia não. Não conseguia me satisfazer com essa ideia... Parecia tão simplória, tão fútil, quando comparada com a quantidade de pessoas nesse mundo que nunca poderiam ter o mesmo que eu, mesmo que eu tentasse ajudar, criando projetos sociais e tudo o mais que vemos por aí...

Eu espero que vocês entendam esse ponto da minha vida, porque me parece importante: eu, desde pequeno, nunca tive dúvidas de que seria bem sucedido. E nunca desejei ganhar dinheiro pra ficar rico e levar uma boa vida. O que me motivava nessa história de ganhar dinheiro era a possibilidade de poder ajudar os outros com ele. Ajudar MUITOS mais do que eu poderia sem nenhum dinheiro. Eu não via no dinheiro uma vida fácil e confortável. Nunca desejei viagens internacionais, nunca desejei cruzeiros marítimos, nunca desejei poder comprar aquele carrão, ou aquela mansão. Não, esse consumismo nunca me fascinou. O que eu queria era poder acabar com certos sofrimentos desnecessários na minha vida e na vida dos meus familiares - como ter que ficar selecionando o que comprar num supermercado, geralmente morrendo de desejo de comprar certas coisas que eu nunca podia por causa do preço - e poder ter dinheiro suficiente para poder ter alguma influência nesse mundo, podendo ajudar a mudar a vida das pessoas que passam por dificuldades básicas.

Era e sempre foi esse o meu maior propósito de vida: ajudar aqueles que sofrem absurdamente, simplesmente por não terem tido a oportunidade que eu tive de crescer em um ambiente estável, com todas as necessidades básicas atendidas – inclusive amor e carinho.

Quando criança eu me recordo de pensar, recorrentemente, nesses aspectos. E daí, à medida em que fui crescendo, frequentando o Ensino Médio e logo depois a Universidade, esses sentimentos foram ficando para trás, pois os novos ambientes eram repletos de termos como "carreira", "profissão", "quanto você vai ganhar", "quantas horas vou trabalhar" e por aí vai. O que acontece é que à medida em que envelhecemos, começamos a virar adultos. E, me desculpe o termo, bundões. E é a mais pura verdade.

Com o passar do tempo, estarão nos cobrando uma posição no mercado. Estarão nos dizendo qual profissão está dando mais dinheiro. Quando e quanto devemos trabalhar e ganhar. Estarão fazendo o possível para que sejamos um sucesso nessa nossa sociedade. Ficarão extremamente felizes ao vê-lo se casar com alguém que você geralmente acredita que ama, mas que muitas vezes não tem certeza. Resplandecerão de plenitude quando seus filhos nascerem. E aí você estará pronto para fazer o mesmo  que eles fizeram a você. “Educará” seus filhos para a mesma vida programada que você levou.

Durante todo esse processo, o problema da fome na África, ou mesmo do mendigo ali na sua porta, não passa de história de noticiário. Ninguém liga. Aliás, liga, mas daquela forma superficial "não há nada que eu possa fazer!". Como se fosse muito eficiente ser continuamente bombardeado por notícias de sofrimento nos outros cantos do mundo, ficar indignado com como as crianças morrem de fome na África, comentar com o vizinho, e voltar a atenção ao casamento da sobrinha.

E se você, durante qualquer fase do processo descrito acima, se lembrar do seu sonho de infância de ajudar os outros e resolver levar isso adiante... bom, ao primeiro comentário sobre isso com eles, você receberá um "esqueça, você não pode mudar o mundo". 

E é nesse ponto em que eu digo: se você acreditou, você acabou de virar um bundão.

Por sorte, bundões podem deixar de ser bundões. Eles só precisam reaprenderem a valorizarem o que as crianças falam e, mais, o que eles, quando crianças, diziam. Portanto, se você está aí pensando se é ou não um bundão, nem precisa terminar o raciocínio. Basta começar a valorizar os questionamentos aparentemente idiotas das crianças.

Aliás, abramos um parênteses breve aqui para propor esse exercício para todo mundo que está lendo esse texto: comece a realmente ouvir o que as crianças dizem e, especialmente, perguntam. Comece a pensar em respostas sérias para cada uma das perguntas, por mais idiotas que sejam. Leve o pensamento adiante até você encontrar a resposta. Eu tenho certeza de que você se surpreenderá com a quantidade de perguntas que você NÃO vai saber responder satisfatoriamente.

Quando se deparam com perguntas desse tipo, a resposta padrão dos adultos às crianças é “você ainda é muito pequeno para entender...”. Mas a verdade é que nem ele faz ideia da resposta. E porque você, adulto, anos de experiência, que já ouviu e viu de tudo, não sabe responder uma simples e idiota pergunta de criança?

Veja, muitas das coisas que nos perguntamos quando crianças (das quais provavelmente você nem se lembra mais), nós acabamos deixando de lado enquanto crescemos e nos ocupamos com problemas infinitos de noticiários, novelas, jogos, profissão, carreira, casamento, filhos, doenças... Ou seja, a pergunta se perde dentro de nós, e então, nunca chegamos na resposta. Então, quando nosso filho vem nos perguntar “mas papai, porque eles fazem guerra, se guerra mata gente dos dois lados?”, nos surpreendemos com a sensibilidade da criança, ficamos comovidos, mas não pensamos sobre a resposta séria para a pergunta. Simplesmente repetimos o tão clichê “você é muito pequeno para entender...”. Ou seja, você não sabe a resposta simplesmente porque parou de perguntar, com o tempo. E o tempo de repente se tornou tão longo que você nem percebe que ainda está na ignorância. Esse, caros leitores, é o início dos maus entendidos.

Fechando o parênteses, voltemos à historinha da minha vida. Apesar da direção que eu tinha em mente quando pequeno, o processo de amadurecimento e educação dentro de escolas e universidade acabou distorcendo um bocado aquele sonho.

Um ponto que vale muito a pena comentar é o da minha visão do papel da Universidade no mundo. Até entrar em uma e tomar contato com as estruturas reais de funcionamento da mesma, eu acreditava que a ela era o lugar do conhecimento mais puro. Acreditava que era ali que as pessoas iam para aprenderem a pensar e questionar as coisas do mundo, e buscar soluções para os problemas. Para mim, a Universidade era o ambiente para se aprender e era ali que as pessoas que desejavam aprender iam. Por causa dessa visão pessoal minha, eu não conseguia entender, logo no primeiro período de estudo, o porquê de tantos colegas meus dizerem que estavam ali só pelo dinheiro que o curso lhes permitiria ganhar. “Como assim? Eu estou aqui só porque eu tenho vontade de aprender mais sobre física, matemática e computação, para quem sabe então poder começar a desenvolver robôs! Se quisesse só ganhar dinheiro, eu não faria faculdade!” diria eu.

Não sei se ficou claro o ponto, o fato é que comecei a me decepcionar quando as aulas tomaram formas de palestras de empresas, de indústrias. E de repente, todos os professores estavam falando de como isso ou aquilo era valorizado aqui e ali, como tal empresa produzia isso ou aquilo, como eu deveria me comportar para ser selecionado por essa ou aquela indústria.

Tudo o que eu queria era um ambiente de livre indagação sobre a natureza, onde eu poderia aprender o que já foi descoberto e instigar minha mente para descobrir aquilo que não fora entendido ainda. E tudo que eu encontrei foi um ambiente destinado a formar mão de obra para as empresas e indústrias desse mundo.

Eu não queria vender o robô que eu produzisse depois de anos de estudos na Universidade. Não estava me lixando para o dinheiro que ele poderia me dar. Eu só queria poder fazer ele funcionar! Mas o ambiente todo conspirava para que eu começasse a pensar em vender tudo. Porque, se eu não fizesse, como eu sobreviveria? Como compraria comida, ou os materiais necessários para fazer o robô? E foi assim que meus sonhos se distorceram.

Ao fim do segundo ano de faculdade eu já estava mais “enquadrado” ao sistema e comecei a pensar em um trabalho que me satisfaria. Já sonhava em talvez abrir uma empresa e conseguir fazer produtos excelentes e úteis à sociedade. E assim, levar uma feliz vida capitalista, com todo o dinheiro que eu precisaria para mim e minha família, e se possível, um pouco para ajudar os outros.

Reparem que, apesar dos sonhos ficarem um pouco distorcidos, eles ainda faziam parte de mim: continuava querendo poder ajudar o máximo de pessoas possível, mas de certa forma a minha prioridade passou a ser eu, meu status e a minha condição financeira, antes da ajuda aos demais.

E, bem... eu até tentei. Tentei achar algo que me satisfaria, mas nada parecia funcionar. Sempre tinha algo lá no fundo que parecia dizer que ainda não era aquilo. Não me agradava entrar para uma grande companhia e ser top dos top lá. Não me interessava ser chefe do departamento de desenvolvimento de produtos da empresa Y. Não dava a mínima para uma função de fácil execução e excelente remuneração. Nada. Boring, boring, boring. Isso era o que passava na minha cabeça.

Aliás, outro pequeno parênteses. Eu ria por dentro quando lia aqueles panfletos de empresas tentando se apresentar aos estudantes, que geralmente dizem "Você gosta de desafios? Você quer um ambiente em que possa crescer profissionalmente?" e blá blá blá. Ria porque eu não conseguia ver que desafio propunham ali. Para mim, desafio sempre foi algo no nível de mudar o mundo. E não via sentido no "crescer profissionalmente", porque para mim, mesmo se eu virasse CEO da companhia, ainda estava num patamar muito inferior ao que eu queria estar. Não, essas empresas com certeza não eram para mim, porque eu queria ser, em última instância, LIVRE, e para isso eu não podia me envolver com essa história de pressão monetária, trabalhar para atender acionistas, para satisfazer credores, e por aí vai.

Dentre todas as grandes empresas desse mundo, a única que me chamava real atenção era a Google. Tendo lido um pouco sobre o seu ambiente de trabalho, era algo que eu achava fantástico (e ainda acho!). A única que parecia ter um ambiente no qual eu me sentiria muito bem. Porém, só profissionalmente, e esse era o problema com a Google.

Gostaria que entendessem que eu estava buscando um espaço para não só trabalhar para uma empresa, mas para o mundo. E quando eu digo mundo, não quero dizer só o mundo que consome (e que obviamente paga suas contas), mas o mundo que nem mesmo dinheiro não tem. Ou o mundo que nem sabe o que é dinheiro e nem conversa com a gente, como o mundo dos animais, os oceanos e ecossistemas em geral. E nesse padrão, não tinha empresa na Terra que me satisfaria, pois todo produto que eu criasse teria de ser vendido.

Então, a única possibilidade que me parecia se encaixar melhor ao meu perfil era virar professor universitário. Afinal, ali eu poderia estar em contato com novas mentes dispostas a aprenderem, poderia tentar tornar minha aula um ambiente realmente agradável e criativo, além de poder trabalhar em um laboratório de pesquisa dentro da Universidade desenvolvendo minhas próprias pesquisas.

É realmente interessante eu poder reavaliar, hoje, a minha vida de um ano atrás, as ideias que rondavam pela  minha mente, e poder entender o que eu sentia que estava errado, mas que na época não podia explicar. Digo isso porque hoje, finalmente, eu sei o que eu quero e como eu posso fazer, e não tem mais nada parecendo errado. Na verdade, as coisas fazem tanto sentido que parece que a minha vida toda foi uma preparação para chegar nesse exato ponto, onde por fim eu me sinto livre como nunca e seguro o suficiente com relação ao que eu quero. Eu finalmente tenho um plano concreto para tocar em frente,  um plano que eu não preciso ter medo de que falhe, porque se falhar, existem dezenas de outras possibilidades para substitui-lo.

Eu arriscaria dizer que chegamos ao clímax do texto. É agora que eu anuncio o que mudou, como mudou, e porque mudou. Anuncio também o nome do documentário que serviu de estopim para toda a reforma da minha visão do mundo e do meu futuro. Logo em seguida, entramos nas consequências disso tudo. Passamos por algumas ponderações, chegamos a algumas conclusões e... fechamos o texto com uma mensagem instigadora, para incentivar o leitor a seguir um caminho semelhante, mas específico para os valores dele. Esse é o nosso plano, então sigamos em frente.

Toda a mudança começou a acontecer depois de assistir ao filme "Zeitgeist: Addendum", no início de agosto de 2010. Antes desse filme, eu assisti "Zeitgeist: The Movie", que hoje eu vejo como algo não muito importante e até dispensável. O único motivo pelo qual eu incentivaria o leitor a vê-lo é o fato de que ele ajuda a começar a pensar melhor sobre o que o mundo parece ser, a entender que muitas coisas talvez não sejam como a gente pensa que é. Desse ponto de vista, "Zeitgeist: The Movie" pode ser material importante para uma iniciação à nova visão do mundo. Mas o material realmente importante aparece no segundo filme, o Addendum. Foi ali que minhas sensações de que algo estava tremendamente errado, já atiçadas enormemente pelo primeiro filme, encontraram as suas razões de serem. Foi ali que perguntas há muito caladas lá dentro de mim, perguntas que eu costumava fazer inclusive enquanto menino, começaram a reaparecer e fazer sentido. Foi ali que todo o futuro que eu tentava desesperadamente encontrar para minha vida de repente perdeu sentido, e um futuro totalmente novo surgiu, um que estava de acordo com tudo aquilo que eu sempre acreditei lá no fundo.

Esses dois filmes conseguiram motivar muitas pessoas a tomarem atitude, e o resultado foi a criação do Movimento Zeitgeist, cujo objetivo, hoje, é essencialmente informar mais e mais pessoas sobre muitos dos fatos apresentados pelos filmes - mas não todos eles. Os filmes são a expressão pessoal do seu criador e diretor, Peter Joseph, enquanto o Movimento Zeitgeist tem metas determinadas, boa parte inspirada nesses filmes.

O sucesso do Movimento e dos filmes incentivou a criação de um terceiro filme, o "Zeitgeist: Moving Forward", que eu arrisco dizer ser uma síntese extremamente boa dos outros dois, e com alguns detalhes a mais e melhor abordados.

E é aqui que eu solicito ao leitor que me dedique o tempo citado no início desse texto. Gostaria de pedir que você, caríssimo leitor, veja essa série de filmes. Como cada um dos filmes dura pelo menos duas horas - o último dura quarenta minutos a mais - eu recomendo que, se tiver que escolher, veja o último. Ele deverá bastar para expressar a grande parte da filosofia Zeitgeist.

Retornando à minha experiência pessoal com o filme, eu não posso deixar de dizer que fiquei muito surpreso com a clareza de certos argumentos e com o fato de tudo parecer ser tão simplesmente óbvio que eu me peguei questionando infinitas vezes o porque de nunca termos visto isso. Não sei o quão perto eu cheguei da verdade em minhas divagações, mas o fato é que algumas pessoas durante o decorrer da humanidade pensaram sim em coisas semelhantes - claro, limitadas ao grau de tecnologia e conhecimento da época. E muitos foram os artistas que tentaram expressar suas ideias de um mundo totalmente unido, sem barreiras, como ele realmente é na sua natureza pura. O exemplo mais famoso e bem sucedido que eu posso dar é do (ó! Que coincidência!) John Lennon, com a música “Imagine”.

Mas isso não importa. O que importa é o fato de que os filmes de Peter Joseph despertam sensações há muito dormentes em nós, jovens e adultos que fomos nos afastando cada vez mais da inocência e curiosidade infinita das crianças. E isso é o mais importante, dentre tudo o mais que os filmes oferecem. É por isso que eu quero lhes pedir que, quando decidirem tirar o tempo que solicitei (além do tempo gasto para ler essa bíblia!) e assistirem o(s) filme(s), estejam sempre atentos às sensações que serão despertadas dentro de vocês.

Não ignore uma sequer, e você vai começar a ver como muitas coisas que você simplesmente passou a ignorar durante o tempo virão a tona e te incitarão a tomar um partido. Você deverá decidir se aquela sensação é verídica ou não, e quando perceber que é, deverá eleva-la ao pedestal que ela merece, em detrimento de todas as outras que forem contrárias a ela, mesmo que você tenha aprendido a valoriza-las como algo de veracidade suprema.

É essa a maior força que esses filmes tem a oferecer. Se você vai concordar ou não com as soluções propostas, ou se você tem objeções com relação a alguns pontos, não tem problema. O importante aqui não é virar fã do movimento, fazer parte do mesmo e etc. A única coisa que eu desejo é que você perceba essas pequenas grandes verdades que estão escondidas dentro de você, e as valorize de forma adequada.

Eu te garanto que se você tiver a habilidade para notar seus sentimentos e assistir com atenção o filme, vai perceber grandes balanços nos seus valores, sejam eles sociais, pessoais, interpessoais ou culturais. De repente, se você for perspicaz e corajoso para encarar certos sentimentos, você entenderá o porque de eu estar tão interessado em passar a mensagem adiante. Você perceberá em que tipo de mundo você quer morar, independente se você acredita se aquele mundo é possível de se alcançar ou não. Você, por sorte, compreenderá o quão mais útil a sua vida pode se tornar, tanto para você mesmo quanto para o mundo. E você será capaz de finalmente tomar as rédeas de sua vida, direcionando-a para o caminho que você achar mais puro para ajudar o mundo a se tornar um lugar melhor, onde aquelas verdades, há muito escondidas, sejam reconhecidas por todos.

Sem o véu do comodismo, você aprenderá a ver como as sociedades realmente funcionam, o que motivam os seres humanos, e o porquê da existência de tanta fome, miséria, guerra e falta de compaixão nesse mundo.

Eu obviamente poderia começar a discursar sobre as diversas coisas que o filme fala, mas isso não cabe a mim. Não agora. Primeiro, cada um tem de ver por si só e entender que impressões pessoais ele deixa. Depois, podemos conversar sobre.

Sinceramente espero que consiga convencer muitas pessoas a verem o filme e entenderem que mudar o mundo não é questão de "ser possível" ou não. É questão de fazer. E a partir do momento em que você modificar seus valores fundamentais para restaurar aqueles que estão lá no fundo de todos nós, você já ajudou a mudar um pouquinho o mundo. Se você vai levar isso mais adiante e realmente começar a fazer algo concreto já são outros quinhentos. Fato é que quem é tocado nesse nível da alma nunca voltará a ser o mesmo e já começará a tomar decisões que ajudarão a mudança do curso das coisas naturalmente.

Já é tempo de reconhecer que barreiras políticas, limites de países, instituições sociais, capitalismo e todas as demais criações do ser humano não são NATURAIS e, portanto, podem ser destruídas SEM PREJUÍZO para o planeta Terra. Já é hora de reconhecer o planeta como um único ser vivo, dos quais todos fazemos parte e do qual todos dependemos para sobreviver. Ideias ultrapassadas como nacionalismo, preconceito e fanatismo devem ser abandonadas: do espaço, vemos um único globo azul-esverdeado. Não vemos fronteiras políticas. Não vemos Estados Unidos, Canadá, Brasil ou União Européia.

É chegado o momento, finalmente, em que todos os povos começarão a entender que não há razão para guerras e matanças baseadas em interesses políticos e financeiros. Não precisamos matar outros por causa de religião. Não precisamos convencer os demais do que acreditamos. O mundo funciona muito bem com, ou sem nossas opiniões. Quem não funciona bem é a nossa sociedade, baseada em pilhas de opiniões sobre o que é melhor para um grupo ou outro.

Basta de intolerâncias, basta de discriminação, basta de medo de viver. Somos os únicos animais desse planeta realmente capazes de alterar o ambiente de forma drástica, quase à nossa vontade. Porque não usar desse poder para fazer um mundo melhor?

Para finalizar, simplesmente pense se, no fundo do seu coração, você gostaria de poder viver em um mundo sem violência, onde você não precisaria ter medo de conversar com ninguém. Onde você poderia viajar para qualquer lugar do mundo quando quisesse. Onde você poderia ter um tempo infinitamente livre para fazer aquilo que você achar melhor: tocar piano, ou violino, ou pintar, ou escrever, ou criar engenhocas eletrônicas... talvez observar o espaço, em busca dos mistérios contidos nos buracos negros e planetas e estrelas distantes... ou quem sabe você prefira dedicar tempo à culinária, ou aos filmes, ou à filosofia... Ou a nadar com golfinhos no Oceano Atlântico...

Enfim... Imagine o mundo realmente perfeito, onde ninguém passe fome, ninguém viva na miséria, onde todos sejam amigáveis e desejem de todo coração ajudar a sociedade a evoluir como um todo. Nada de medo de assalto, de sequestro, de destruição de ecossistemas. Nada de guerras. Homens, mulheres, animais, plantas e tudo mais, todos em harmonia. Imaginou? Seria legal viver assim? Então comece a agir de acordo, porque Utopia é só uma forma fácil de fugir da responsabilidade de tornar realidade um sonho que é muito grande para acreditarmos ser possível.

Se você ainda duvida do “paraíso na Terra”, talvez precise simplesmente de mais fé. Não daquela fé mística, da esperança cega de que tudo irá se resolver por si só. Não essa fé. Falo da fé na capacidade e bondade humana. Falo de acreditar no seu potencial de ser bom. Falo de baixar o ceticismo e permitir que essa mensagem realmente atinja o seu coração. Falo de confiar um pouquinho mais no outro. Porque o mesmo homem que é capaz de lançar uma bomba sobre uma cidade, também é capaz de amar incondicionalmente seus filhos.

Talvez ajude começar se perguntando: "Se eu estou disposto a viver sem toda essa agressividade e disputa do mundo atual, porque os outros também não poderiam pensar o mesmo?"

Eu estou disposto. E não estou sozinho.

John Lennon Oliveira Couto



PS: Deixo fora do texto os links para os documentários citados! Você pode assisti-los por stream, on-line, ou baixar via torrent. Lembre-se: o último filme, “Zeitgeist: Moving Forward”, substitui muito bem os outros dois e assim, se você não pode dedicar tanto tempo a esses documentários, veja ele. Mas se quiser sentir o real impacto de uma mudança de perspectiva, sugiro que veja os três, na ordem!

A legenda em português no youtube pode ser ativada clicando no botão “CC”.

Para ver online:

“Zeitgeist: The Movie” – só em inglês: http://vimeo.com/13726978

“Zeitgeist: Addendum” – http://www.youtube.com/watch?v=EewGMBOB4Gg

“Zeitgeist: Moving Forward” – http://www.youtube.com/watch?v=4Z9WVZddH9w

Para baixar os arquivos torrente: pesquise pelos nomes em www.torrentz.com.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Seu mundo está para mudar!


Olá pessoas!

Venho através desse simples post só anunciar que em breve, espero que até domingo, eu publicarei o que será o maior texto até então escrito por aqui. No word, ele está com algo em torno de 9 páginas (Times New Roman, tamanho 12). Foi escrito hoje de madrugada: 5 horas gastas no processo. Não vou revelar detalhes - nem do título - porque ele está em processo de edição, então nada é fixo ainda.

Bom, então pra que essa mini-nota de hoje?

Para pedir aos senhores leitores que preparem um tempo nessa semana para que leiam o texto. Não sei quanto tempo se deve gastar para ler algo tão longo, mas com certeza exigirá um pouquinho mais do que o comum. E peço que leiam de uma só vez, por razões de efeito (conseguirei um efeito maior naqueles que não interromperem a leitura e recomeçar um dia depois).

É um artigo com um tom um pouco diferente dos demais, e eu realmente espero poder atingir muitos de vocês com ele. Foi escrito com a esperança de que eu possa ajudar esse mundo a se tornar cada vez melhor.

No se assuste com o tamanho. Tentei escrever de uma forma que o leitor acabe se interessando e fica curioso para saber o que vem em seguida, de modo que a leitura é longa sim, mas não muito cansativa. Vai valer a pena!

De qualquer forma, tenho o direito de postar algo tão grande: provavelmente não haverá mais novidades no mês de abril, visto que estarei viajando a partir da semana que vem.

É isso! Um abraço!
John

quarta-feira, 30 de março de 2011

Ensaio I - Silêncio da alma


Calado. Se haveria uma palavra que pudesse descrever o seu interior naquele momento, essa deveria ser a mais adequada. Ele estava preocupado. Não, melhor, ele não estava preocupado. Ele não estava coisa nenhuma, justamente porque o seu íntimo não falava nada. Nem tristeza, nem alegria. Nem revolta, nem resignação. Nem ódio, nem amor. Nada. E não, ele não estava apático. Ou deprimido. Estava calado, e mesmo quando ele mesmo tentava conversar consigo mesmo, não recebia resposta alguma.

Inquisitivo como ele era, resolvera ponderar sobre esse silêncio interior. O silêncio da alma. Ele acreditava nos ciclos, é claro. Tudo o que ele observava na criação divina funcionava em ciclos. "É uma coisa óbvia" - ponderava ele - "afinal se uma atividade, processo ou fenômeno não funciona em ciclos, uma hora ou outra deveria acabar".

Ele não acreditava no fim. Não que tivesse medo de tudo um dia acabar e pronto. Ele não tinha medo do fim. Talvez tivesse um pouco de medo da falta de propósito do fim. Mas nem disso tinha certeza. O fato de não acreditar no fim vinha de dentro. De um "Eu" muito mais interior que o "Eu" que estava calado naquele momento. Esse "Super-Eu", ele gostava de acreditar, continha toda a Verdade do Universo, justamente porque ele era o Universo. Ou pelo menos uma parte dele.

Na sua busca pelas razões do silêncio interior, e a que propósito ele serviria na construção da alma, ele se esbarrou vez ou outra, bem ligeiramente, numa sensação de insignificância. Não com relação a ele - ele não se sentia insignificante de maneira nenhuma. Era uma insignificância mais relacionada à pequeninez da vida de um indivíduo - não, de todos os indivíduos - em um determinado tempo, perante todo o resto. E se sentiu como uma pessoa que deve viajar por anos e anos para chegar ao lugar a que se direcionava. A diferença era que cada mês desses anos era uma vida inteira.

Nesse sentido, ele percebera quão pequena é sua vida. E quão idiota é sair correndo para vivê-la desesperadamente, ansioso pelo futuro e com medo do passado. De repente, se lembrando que tudo é um ciclo, percebeu que depois de toda essa longa caminhada, outra deveria começar. Para todo o sempre.

Então ele se sentiu eterno, por um breve instante de tempo. E percebeu que a resposta que procurava sobre o silêncio do seu "Eu" interior não viria agora. Mas ele a podia sentir, roçando as superfícies da sua mente consciente, fazendo cócegas, instigando-o a sentir. Ele já sabia que tinha a resposta para tudo. Mas deveria esperar até o momento em que estaria pronto para recebê-la.

Ele sentia paz.

terça-feira, 29 de março de 2011

Awakening


I had a dream
About things I need
Love was always there
And my lover too.

I don't know if it's sad or not
But it felt so good
To love without fear
Inside that dream.

Now I feel so blue
'Cuz all I needed I had
While I was asleep
Dreaming of living
My very own dream.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Frio de verão


Apesar de tudo
Somos humanos:
É inevitável chorar às vezes
Mesmo quando tudo parece tão perfeito
E a felicidade está a reinar.
                        .
                        .
                        .
Afinal, quem foi que disse
Que ser feliz não envolve
Também
Momentos de indescritível silêncio interior?

sábado, 26 de março de 2011

Poema Instantâneo I - Deixa ser


O que sair
Saiu e não vou mudar
Pois o que ficou
Ficou e assim deixa estar

Não quero um doce de menino
Nem quero mais brincar
Vou é subir num mezanino
E na coragem pular

Mas não se preocupe
Não quero me matar
Eu sei o que estou fazendo
Eu já aprendi a errar

Eu cresci comendo bem
Eu aprendi a falar
Agora eu vou além
Sou poeta, quero poetar

Da introspecção


Perceber:
Nem sabia mais onde estava
E muito menos se importava
Tudo o que queria era uma boa dose de si
E tudo que precisava era da sua própria companhia
Pois ninguém o poderia entender melhor
Nem o amar mais
Do que ele mesmo

Refletir:
Não que os outros fossem maus
Ou incapazes de compreendê-lo
Mas porque nenhum deles
Até então
Fora capaz de senti-lo
E fazê-lo sentir

Entender:
Nenhum ainda conseguira
Arrancá-lo de seu mundo
(tarefa difícil essa!)
E preencher o vazio
Onde o seu outro eu ainda habita
E da onde vem todo o conforto que precisa
Quando necessita